31 de dezembro de 2023 Apple “Pro”: retrospectiva de 2023 e perspectiva para 2024

Apple “Pro”: retrospectiva de 2023 e perspectiva para 2024

O sufixo “Pro” tem sido usado nos produtos Apple para supostamente determinar as linhas profissionais de seus devices. Digo “supostamente” porque nem sempre a qualidade e a usabilidade dos gadgets correspondem ao seu sobrenome (vide a história do criticado MacBook Pro de 2016).

Como nesta coluna temos o objetivo de analisar os dispositivos Apple sob a ótica da produtividade, vamos fazer aqui uma retrospectiva de 2023 e uma perspectiva para 2024 da empresa mais valiosa do mundo, com foco em seu uso profissional.

Retrospectiva de 2023

Infelizmente, podemos dizer que 2023 foi um ano decepcionante para a Apple no que tange ao uso corporativo, com uma única exceção que veremos a seguir.

MacBook Air de 15 polegadas

Em uma jogada cantada mas quase improvável, a Apple lançou uma versão de 15 polegadas de seu MacBook mais fino e amado.

Pessoa segurando o MacBook Air de 15 polegadas na área de hands-on da WWDC23

Como o Air tinha sido totalmente remodelado no ano anterior, a versão com tela maior veio com o desempenho fantástico do chip M2, um design moderno, ainda incrivelmente leve e altamente funcional.

Embora visto inicialmente com descrédito (inclusive por este que vos escreve), o device se tornou muito benquisto e comentado pela crítica. Tive uma ótima experiência com ele e escrevi um review aqui.

Este não é um device “Pro”, mas ele ficou tão bom e prático para o trabalho que achei interessante incluí-lo aqui (até porque, foi na minha opinião o único gol da Apple em 2023).

WWDC23

WWDC23

Tirando o lançamento supracitado, a Worldwide Developers Conference 2023 foi altamente decepcionante. Muito marketing, muito barulho (ao melhor estilo Apple) para coisas básicas de mudança e inovações muito simples para inclusive serem chamadas de “inovações”.

Okay, pode-se dizer que os sistemas operacionais estão muito evoluídos e tal, mas não adianta; em um evento desse de mudanças dos SOs, espera-se alguma revolução mais marcante. E isso não veio, este ano.

iPhone 15 Pro e Apple Watch Ultra 2

Todos os anos, em todos os lançamentos de iPhones, a Apple é vítima de uma série de piadas de seus haters e concorrentes. Mas não me lembro de um lançamento ser tão zombado quanto a “evolução” do iPhone 14 para o 15.

Vou me limitar aqui a comentar o Pro, seguindo a proposta deste artigo. Tivemos a mudança para o titânio e melhorias nas câmeras e no chip. Para piorar, os aparelhos voltaram a ter diferenças de qualidade por tamanho (Pro para Pro Max) e inúmeras críticas têm sido feitas quanto a superaquecimento e dificuldades no teclado.

Sobre o Apple Watch Ultra 2, o incluí aqui porque a versão Ultra é um relógio não apenas para esportes radicais, mas pode ser uma ótima ferramenta de trabalho. No entanto, sua segunda geração teve mudanças tão insignificantes que foi até difícil promover no lançamento.

MacBook Pro com chip M3

Quase no final do ano, com poucos comentários de previsão e um ar de surpresa, a Apple lançou sua linha Pro com chips M3. Mesmo design da versão anterior, com uma nova cor (o preto-espacial) e um desempenho superior bastante insignificante em relação à sua geração anterior, fato que desencoraja bastante o upgrade de quem já tem a versão M2 — como comentei aqui.


Ao refletir nesses lançamento de 2023 e na dificuldade em inovar e evoluir, reforço uma crença que tenho falado por algum tempo: não está na hora de ter ciclos de produtos mais longos? Será que há mesmo a necessidade de lançamentos anuais? Com espaços de 18 ou até 24 meses, não teríamos evoluções bem mais significativas e investimentos mais bem empregados?

Há quem diga que a concorrência engole a Apple se isso acontecer, mas eu duvido disso. A empresa lidera o mercado. O que provavelmente aconteceria é que outras empresas adotariam os mesmos ciclos, semelhante ao que vimos no caso da ausência dos carregadores nas caixas de smartphones, que foram primeiramente criticados, depois se tornaram chacota e por fim passaram a ser uma prática da maioria dos players desse mercado.

Além disso, essa política seria bem mais alinhada com as propostas de sustentabilidade e zero carbono que têm sido tão difundidas e divulgadas por Tim Cook e sua equipe (aliás, diga-se, o vídeo da Mãe Natureza viralizou e foi a melhor parte do lançamento do iPhone).

Perspectiva para 2024

Um ano tão ruim nos leva a desejar um ano melhor em 2024, e essa é a expectativa de todo bom Applemaníaco (a gente bate, mas é porque quer ver melhor).

Vamos, então, ao que podemos esperar de 2024.

Apple Vision Pro

Embora os óculos de realidade virtual e aumentada tenha o sufixo “Pro”, tenho muitas dúvidas de que ele possa se formar como uma opção profissional.

No vídeo de lançamento, vimos várias alusões a seu uso nesse contexto, mas a experiência com outros óculos de mesma natureza tem se revelado cansativa e ineficiente.

Homem trabalhando de pé com o Apple Vision Pro

Okay, ele se propõe a ser mais leve e funcional, mas quantas horas será possível usá-lo sem fadiga? Ele vai ser prático com os aplicativos? Só o teste de uso vai revelar isso e, ao que parece, não demorará.

Muitas previsões têm falado do lançamento do device em lojas no começo de fevereiro. Estou curioso, mas não otimista. Além do desafio usabilidade, ainda temos a barreira do preço (US$3.500+), bastante alto até para o mercado americano.

iPad Pro

Com o mesmo design desde 2018, o iPad Pro saiu do aparelho mais inteligente da Apple para o mais desajeitado das linhas atuais.

Novos iPads Pro de 12,9 e 11 polegadas

A proposta de se tornar um substituto do computador foi muito interessante, mas esbarrou em críticas, limitações funcionais e acabou sendo espremido pelo iPad Air (bastante interessante com o chip M1) e engolido pelo elegante e leve MacBook Air (M2).

Diversos leakers apontam 2024 como “o ano dos iPads”, já que nada foi feito com eles em 2023. Um teclado mais leve, mudanças operacionais significativas e uma câmera na lateral, como no iPad de entrada, são mudanças fundamentais para que ele continue figurando como opção atrativa para o meio profissional. Claro que isso vai depender muito do iPadOS 18, do qual falarei a seguir.

Sistemas operacionais

Acredito que o macOS tenha realmente pouco a ser acrescentado, embora o Mail, por exemplo, ainda seja um cliente de email bem inferior a outros do mercado (como o Spark).

Pensando na usabilidade profissional e nos três SOs em conjunto (iOS, iPadOS e macOS), além do Mail poderíamos ter uma evolução significativa no Notas (ainda travando muito quando carregado), no Finder/Arquivos (melhorando a inserção e a busca de tags no iOS e no iPadOS), melhor integração do Lembretes e uma mudança mais funcional do Pages e do Keynote (que ainda perde por coisas básicas do PowerPoint, como design automático e tela destravada). Nem vou falar do Numbers aqui, porque ele não consegue mesmo bater o Excel.

iWork

Outro item que precisa evoluir muito é o compartilhamento de arquivos, pastas e trabalho remoto. O próprio Freeform, criado para trabalho em conjunto virtual, ainda trava muito e demora para sincronizar. Ainda não se tem uma facilidade de uso no iCloud compartilhado como no Google Drive ou no OneDrive, por exemplo. Embora já seja possível compartilhar pastas no iCloud com com quem não tem devices Apple, esse uso ainda é complicado.

Houve um avanço importante nessa seara de compartilhamento remoto, mas ainda precisa de muito avanço para ser considerado pelas empresas como uma alternativa ao Google ou à Microsoft.

Conclusão

Não há dúvidas de que a Apple é uma empresa incrível; os números mostram isso. Eu acredito nela e continuo investindo sistematicamente.

Mas, no que tange ao mercado corporativo, existe ainda muito caminho a ser percorrido. Sem um avanço concreto, tecnológico e operacional, vai ser difícil posicionar a empresa como também uma marca organizacional.

Esperamos que, em 2024, possamos ter um avanço significativo para que a Apple seja (volte a ser?), de fato, mais Pro.

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